Há muitos produtos tradicionais do outono, mas as abóboras encantam-me. Fascinam-me. É por isso que este ano tinha de começar a temporada com uma das minhas tartes preferidas. Tarte de abóbora, mais conhecida como "Pumpkin Pie".
Tenho a certeza de que convosco acontece o mesmo, é chegar o outono e entrar num ciclo de bem-estar e felicidade maravilhoso. Acho que é a magia desta estação do ano. A vasta gama de cores que as árvores nos deixam, a temperatura ideal para dar longos passeios, os maravilhosos produtos da época de que podemos desfrutar (isto eu desfruto ao máximo), as festividades fantásticas que se celebram nestes dias... Mas acima de tudo os produtos da época. Enlouquecem-me.
Não é a primeira vez que o faço em casa; na verdade é uma receita que já fiz muitas vezes, mas por alguma estranha razão nunca faço a mesma. Vou mudando as massas da base, os ingredientes do recheio... E posso garantir-vos que esta que vos deixo hoje é a melhor tarte de abóbora que fiz na minha vida.
Já não é só pelo sabor, mas também pelas texturas. A base é ligeiramente amanteigada, folhada e crocante. O recheio é muito macio, húmido, delicadamente doce, cheio de aromas das especiarias e com a consistência ideal para se manter firme. Se a servirmos com um pouco de natas batidas... Então já não tenho palavras para descrever a sensação. Garanto-vos.
Forma cerâmica ondulada Emile Henry
Ingredientes para 8 doses
Para a base:
- 435 g de farinha de força
- 245 g de manteiga sem sal fria
- 40 g de banha de porco ibérica
- 63 g de açúcar
- 78 g de água muito fria do frigorífico
- 1/2 cp de sal
Para o recheio de abóbora:
- 575 g de abóbora assada sem as sementes
- 50 g de açúcar mascavado escuro
- 160 g de açúcar
- 3 ovos M
- 465 g de leite evaporado
- 1 cp, generosa, de canela em pó
- 1 cp de gengibre em pó
- 1/2 cp de mistura de especiarias
- 1/4 cp de cravinho-da-índia, moído (facultativo)
Preparação
Preparamos a massa para a tarte:
- Ralamos a manteiga fria, reservamos.
- Numa taça grande juntamos a farinha com a manteiga ralada, a banha, o açúcar e o sal, misturamos com ajuda da pá até obter uma mistura areada. Serão poucos segundos, é importante não trabalhar muito a massa para não desenvolver o glúten.
- Vertemos a água muito fria e misturamos novamente durante alguns segundos. Obtém-se uma pasta não homogénea.
- Passamos a massa para uma superfície de trabalho e acabamos de a trabalhar realizando a técnica do fraisage. Servirá para obter uma massa homogénea, mas sem desenvolver o glúten.
- Apoiamos o “calcanhar” da mão sobre a massa e deslizamo-la lentamente para a frente, de modo a que vá amalgamando, mas sem obter um resultado elástico. Fá-lo-emos poucas vezes, o suficiente para unir a mistura.
- Assim que estiver homogénea, dividimos a massa em duas partes. Uma ligeiramente maior do que a outra (será a que usaremos para a forma).
- Esticamos a massa entre duas folhas de teflon. Damos-lhe um diâmetro superior ao da forma.
- Caso a massa tenha atingido a temperatura ambiente, refrigeramos durante 15-20 minutos para a podermos manusear sem se partir.
- Colocamos a massa sobre a forma cerâmica Emile Henry e adaptamo-la sem pressionar a massa. Ajustamo-la perfeitamente, mas sem fazer pressão com as mãos.
- Passamos um rolo de tarte pelos bordos; desse modo podemos retirar o excesso de massa para que fique perfeitamente ajustada.
- Refrigeramos enquanto preparamos o recheio. Nesta fase, se quisermos, podemos refrigerar a forma com a massa até ao dia seguinte.
- A outra porção de massa esticamo-la entre duas folhas de teflon, podemos usar um rolo ajustável para dar uma espessura de 3 mm, e refrigeramos antes de cortar as folhas. A massa deve estar muito firme para obter cortes limpos.
Preparamos o recheio da tarte de abóbora:
- Na taça da KitchenAid juntamos a abóbora assada cortada em pedaços juntamente com os dois tipos de açúcar e as especiarias. Misturamos com o batedor em velocidade 1 até obter um puré liso e cremoso.
- Incorporamos os ovos e voltamos a misturar a velocidade 1, fazendo-o apenas até ficarem totalmente integrados.
- Por fim, acrescentamos o leite evaporado e misturamos novamente até homogeneizar.
Enchemos a forma e levamos ao forno:
- Vertemos o recheio para o interior da forma. Para evitar que saia espuma/bolhas à superfície, o ideal é verter a mistura sobre uma espátula. Caso apareça alguma, podem removê-la com a ajuda de uma colher.
- Aconselho-vos a não encher a forma até cima fora do forno porque vos custará muito mover a forma sem verter o recheio. Podem verter o recheio com a forma dentro do forno ou acabar de o verter dentro do próprio forno.
- Levamos ao forno a meio da altura a 200ºC durante 15 minutos.
- Passado este tempo, reduzimos para 175ºC e levamos ao forno durante mais 50-55 minutos. Saberão que a tarte está feita porque, ao mover a forma, terá um ligeiro tremor, mas perceber-se-á que está cozida.
- Desligamos o forno, deixamos a porta meio aberta e deixamos arrefecer completamente lá dentro. Deste modo favorecemos um arrefecimento gradual e evitamos a formação de fissuras à superfície.
- Retiramos e colocamos numa grelha.
- Nesta fase podemos consumi-la, depois de arrefecer, ou refrigerá-la até ao dia seguinte.
Fazemos e levamos ao forno as folhas:
- Retiramos a plancha de massa que deixámos estendida e refrigerada.
- Com a ajuda de vários cortadores em forma de folha, cortamos a massa para criar folhas de diferentes tamanhos e formas.
- Depois de cortadas, refrigeramos durante 20 minutos.
- Retiramos do frio e criamos relevo na superfície. Com a ajuda de uma faca, desenhamos texturas sobre as folhas.
- Para que não fiquem todas planas, colocamos bolas de papel de alumínio por baixo de algumas delas, com isto conseguiremos dar-lhes movimento.
- Refrigeramos durante 20 minutos.
- Pré-aquecemos o forno a 175ºC com calor em cima e em baixo.
- Pincelamos, ligeiramente, as folhas com ovo batido e levamos ao forno a meio da altura durante 14-15 minutos.
- Retiramos e deixamos arrefecer completamente sobre uma grelha.
Decoramos a tarte:
- Dispomos as folhas à volta da borda da forma. Colocamo-las a gosto.
- Servimos. O ideal é acompanhar a tarte com um pouco de natas batidas; podemos servi-las de um lado ou então colocar uma roseta sobre a superfície. Deixo isso ao vosso critério.
Forma cerâmica ondulada Emile Henry e pincel de pastelaria T&G
Notas:
- A massa da base podemos misturá-la na KitchenAid ou à mão no interior de uma taça grande. Como vos for mais cómodo e limpo.
- A banha de porco confere uma textura ligeiramente folhada muito agradável ao paladar. Caso queiram omiti-la, podem substituí-la por manteiga, mas recomendo que a usem. Não acrescenta sabor, mas dá-nos uma textura incrível.
- Quando colocarem a massa na forma, não a pressionem, coloquem-na e ajustem-na com suavidade. Caso contrário, encolherá depois da cozedura.
- A massa pode manter-se refrigerada, uma vez colocada na forma e coberta com película aderente, até ao dia seguinte.
- No meu caso preferi assar a abóbora para fazer o puré, mas se preferirem, podem cozê-la. Precisamos de 575 g de polpa já assada.
- Para evitar que saia espuma/bolhas à superfície ao verter o recheio, o ideal é verter a mistura sobre uma espátula.
- A decoração é totalmente facultativa e podem ajustá-la aos vossos gostos.
- Pode servir-se com natas batidas, coberta de merengue italiano ou simples.
- Pode conservar-se refrigerada durante 4-5 dias.
Se não costumam fazer tarte de abóbora em casa ou ainda nunca se atreveram a fazê-lo, acho que este ano é o vosso ano. Garanto-vos que não é só uma tarte muito fácil de fazer, como além disso o resultado é uma preparação que realmente merece o tempo e o esforço que lhe dedicamos.
Forma cerâmica ondulada Emile Henry




Comentários
IJAJ SEIKH disse:
I’m always looking for new pumpkin pie recipes. Do you have any tips for making a perfectly flaky crust? It’s really Amazing
Beatriz disse:
¡Está deliciosa! El año pasado la preparé como cinco veces y este año llevo una de momento. Como las masas no son lo mío… preparo la base con galletas y mantequilla y también queda muy bien. Además en cada preparación voy introduciendo variaciones y así tengo la excusa perfecta para seguir disfrutándola. De esta forma he llegado a que se puede reducir un poco la parte de azúcar y sigue riquísima (la dejo en 50 gr y así suma 110 en total). Además se puede sustituir una parte de la leche evaporada por creme fraiche. En otra ocasión sustituí la leche evaporada y el azúcar por leche condensada. En fin, se ha convertido en una de mis tartas favoritas.
Fabiola disse:
¿Que son las láminas de teflón? ¿Se podría sustituir por papel vegetal o papel para hornear?
¿A qué temperatura y cuánto tiempo hay que dejar la calabaza hornear?
Eva {Bake-Street} disse:
¡Buenas tardes, Valentina!
¡Muchas gracias! Cuánto me alegra saber que te ha gustado! Y qué bien que vayas a animarte con ella :D
Respecto a tu consulta, sí, por supuesto que puedes utilizar puré de calabaza enlatada. Ese trabajo que llevas adelantado! No es necesario que hagas nada, ya está cocinada. Solo debes añadir la cantidad que detallo en la receta y listo ;)
Deseando que nos cuentes qué tal te ha ido!
Besos!
Valentina disse:
Me encantó tu receta!! La haré estos días, sólo tengo una consulta. Tengo puré de calabaza enlatado, me sirve? Debo cocerla antes de usarla? O se utiliza directamente? Muchas gracias!
Eva {Bake-Street} disse:
¡Hola, Andrea!
Qué alegría! Deseando que nos cuentes que tal te ha ido!
Gracias y un abrazo! :)
Andrea disse:
La estoy haciendo ! Se siente un olorcito…..😋
Besos desde Buenos Aires 💋
Eva {Bak-Street} disse:
¡Buenas tardes, Marta!
Muchas gracias! La verdad que queda muy buena, si tea nimas con ella, ya nos contarás! Respecto a tu consulta, si no quieres usar manteca de cerdo, puedes sustituir esa parte grasa por mantequilla. Pero te recomendaría probarlo, la textura que obtenemos es similar a una hojaldrina, el sabor a manteca no se aprecia en la masa y el resultado es muy suave. Un beso!
¡Hola, Mariano!
La masa quebrada se hace con harina floja de repostería, pero en este caso me interesaba que la masa mantuviera su forma en perfecto estado (sobre todo por las hojas de la decoración), por esa razón utilizo este tipo de harina. Si no amasas mucho (siguiendo el proceso que os detallo en la receta), para evitar desarrollar el gluten, la masa no se contraerá en absoluto en el molde. Un saludo!
¡Hola, Conchi!
La especias “All spice” es pimienta de Jamaica.Se me coló una S en la palabra. Puedes comprarla en muchas tiendas online y en supermercados especializados :)
Un abrazo!
¡Buenas tardes, Maite!
Muchas gracias! Me alegra mucho que te haya gustado! Respecto a tu consulta, no, no se pueden hornear sobre el relleno. Este es muy líquido y las hojas se hundirían durante la cocción. Además que el resultado no será crujiente. Debes hornearlas por separado. Un abrazo!
MARTA disse:
Debe estar buenísima!!!
La manteca de cerdo, ¿se podría sustituir por otro ingrediente?
Mariano disse:
Porqué es necesario que la harina de la masa quebrada sea de fuerza, no sería mejor de repostería o de uso común.
Conchi disse:
Hola, referente a tu receta Pumpkin pie el ingrediente “ all spices” de que especias se componen o si se puede adquirir ya mezcladas ? Si se puede adquirí mezcladas en donde y de que marca. Muchas grss, me gustaría felicitarte por tu excelente pagina web😘
Maite disse:
¡Fantástica tarta! Viene genial para esta estación del año. Una pregunta, ¿Se podrían hornear las hojas montadas en la tarta al mismo tiempo que metemos esta en el horno?