Poucas coisas há melhores do que tomar o pequeno-almoço com um croissant acabado de fazer e um café. Quem diz pequeno-almoço, diz almoço ou jantar, porque para mim é uma daquelas preparações que me sabem bem a qualquer hora do dia. Nunca diria que não a um croissant. Só se estiver mal feito... Por isso, se és como eu, não podes perder como fazer croissants tradicionais em casa.
Não vos vou mentir dizendo que é um processo muito fácil, porque não é. Mas também não é uma preparação impossível de fazer, muito menos se seguirmos à risca todos e cada um dos passos. Na altura de fazer croissants há algo muito importante a respeitar em todos os momentos, e é a temperatura. Não só da massa e da manteiga, o que é muito importante, mas de quase todo o processo em geral.
O croissant é um produto delicado, requer paciência e muito carinho em todos os passos do processo. É uma preparação que não se pode forçar em nenhuma parte do processo, mas muito menos na fermentação. O componente principal desta receita é a manteiga e, caso excedamos a temperatura em alguma parte do processo, ultrapassaremos o seu ponto de fusão. O resultado não será um croissant, mas sim um bolo "tipo brioche", devido ao facto de a manteiga se integrar na massa e não formar camadas como esperamos que aconteça.
Origem do croissant
A origem do croissant, ou cruasán como determina a Real Academia Española que é a forma de o escrever, é uma preparação das massas viennoiseries. Neste caso, laminada. Ao contrário do que se pensa, a sua origem não é francesa, mas austríaca.
A palavra croissant significa "crescente" em francês, devido à sua forma de quarto crescente lunar. O seu aspeto está diretamente relacionado com o conflito bélico que provocou a sua criação.
Foi durante o ano de 1683, época em que o Império Otomano avançava pela Europa conquistando territórios na sua luta contra o Sacro Império Romano-Germânico. Depois de arrasar Constantinopla, os Balcãs e parte da Hungria, o exército otomano definiu o seu objetivo seguinte em Viena.
A cidade estava rodeada por uma muralha, por isso a estratégia dos 20.000 soldados foi cavar túneis por baixo desta para chegar ao centro da cidade e surpreender os seus inimigos a meio da noite.
Os padeiros vienenses, como todos os do ofício, encontravam-se a trabalhar já depois da meia-noite para terem o pão pronto logo de manhã. Começaram a ouvir ruídos e, preocupados, deram o alarme. Graças a este aviso, foi possível evitar o ataque e defender a cidade. Como celebração desta vitória, os padeiros criaram um bolo em forma de lua crescente, a mesma que figurava na bandeira otomana.
O croissant simbolizava a forma de ‘comer um turco’, uma doce vingança levada a cabo graças à colaboração dos padeiros vienenses.
Saco para tartes e pastelaria Claudia&Julia
Ingredientes (para 14-15 croissants)
- 500 g de farinha de força, no meu caso usei W=290
- 130 g de água, fria
- 100 g de leite, frio
- 50 g de açúcar
- 20 g de mel
- 8 g de fermento seco ou 24 g de fermento fresco
- 35 g de manteiga em pomada
- 10 g de sal
PARA LAMINAR:
- 255 g de manteiga seca, fria e moldável, para laminar
PARA PINCELAR:
- ovo batido + 2 colheres de sopa de leite
PARA A CALDA DE AÇÚCAR (facultativo):
- 85 g de água
- 85 g de açúcar
Preparação
PRIMEIRO DIA
Preparamos o détrempe (massa).
- Na taça da KitchenAid, juntamos todos os ingredientes, exceto a manteiga para laminar.
- Amassamos a velocidade 1 durante 10 minutos. Aumentamos para velocidade 2 e amassamos durante mais 5 minutos. Neste passo é muito importante controlar a temperatura da massa de tempos a tempos; vamos ajudar-nos com um termómetro digital. É importante que a temperatura final não exceda os 24º-25ºC. Se observarmos que a temperatura sobe, refrigeramos a massa durante alguns minutos antes de continuar a amassar.
- Quando tivermos uma massa suave e desenvolvida, retiramos da taça.
- Dobramos a massa para lhe dar forma retangular, estendemos ligeiramente com a ajuda de um rolo, embrulhamos muito bem em película aderente e refrigeramos até ao dia seguinte, cerca de 12 horas.
Preparamos a manteiga para laminar.
- Entre duas folhas de teflon colocamos a manteiga sobre uma delas. Cobrimos com a outra folha e começamos a bater-lhe com a ajuda de um rolo para a achatar.
- Achatamos dando-lhe forma quadrada, com 20 cm de lado. Dobrando o próprio teflon, deixando 20 cm de cada lado, podemos estender a manteiga para cobrir toda a superfície e mantê-la dentro dele (como se fosse uma forma ou recipiente).
- Refrigeramos a manteiga até ao dia seguinte, cerca de 12 horas.
SEGUNDO DIA
Estendemos a massa e fazemos a primeira dobra dupla.
- Estendemos a massa procurando obter umas medidas de 40 x 20 cm.
- Colocamos a placa de manteiga no centro da massa, de modo que a largura da manteiga e a da massa sejam iguais.
- Dobramos as extremidades da massa sobre a manteiga, levando cada uma delas até ao centro. Selamos bem a união de ambas as dobras tanto no centro como nas laterais. A massa deve ficar completamente selada em cada um dos seus lados.
- Fazemos um corte nas duas laterais da massa onde não selámos a união.
- Estendemos com a ajuda de um rolo até obter umas medidas de 65 x 20 cm.
- Fazemos uma dobra dupla. Levamos uma das extremidades da massa até cobrir 1/3 dela. A outra extremidade levamo-la até a unir a esta última que acabámos de colocar. Uma vez aqui, dobramos a massa sobre si mesma do mesmo modo como se fechássemos um livro.
- Fazemos cortes nas laterais, pressionamos suavemente com um rolo, cobrimos com película aderente e refrigeramos durante 45 minutos.
Fazemos uma dobra simples.
- Polvilhamos ligeiramente a superfície de trabalho com farinha e procedemos a estender a massa. Passaremos o rolo de uma só vez, do centro para as extremidades, evitando insistir no mesmo sítio.
- Estendemos até atingir cerca de 65 x 20 cm aproximadamente.
- Levamos uma das extremidades até ao centro e repetimos o mesmo processo com a outra extremidade, colocando-a sobre a anterior. Do mesmo modo como se fechássemos um tríptico.
- Passamos o rolo pela superfície suavemente para unir as dobras, fazemos os cortes nas laterais, cobrimos com película aderente e refrigeramos durante 45 minutos.
- Se não quisermos moldar os croissants neste dia, podemos congelar a massa durante 3 horas e depois passá-la para o frigorífico até ao dia seguinte.

Moldamos os croissants.
- Polvilhamos ligeiramente a superfície de trabalho com farinha e procedemos a estender a massa.
- Daremos um comprimento de 75 x 25 cm aproximadamente, a massa deverá ter uma espessura de cerca de 3,5 mm.
- Cortamos triângulos com uma base de 9 cm. A meio de cada base, faremos um corte de aproximadamente 1 cm. Isto ajudar-nos-á a moldar o croissant de forma mais simples porque favorecerá que possamos enrolar a base sem pressionar as camadas de manteiga.
- Estendemos a massa suavemente, dobramos os cantos do corte que fizemos no centro da base para o interior e enrolamos dando forma de croissant. Não devemos enrolar o croissant exercendo tensão sobre ele.
- Colocamos os croissants sobre um tabuleiro perfurado forrado com papel vegetal ou usando um tapete de silicone.

Levamos a cabo o processo de fermentação.
- Pincelamos apenas a superfície dos croissants, não a parte laminada, com ovo batido com leite.
- Cobrimos com película aderente e deixamos levedar cerca de 2 e 1/2 horas a 27ºC.
- Caso não consigamos controlar a temperatura e tenhamos de o fazer à temperatura ambiente, deixamos cerca de 4 e 1/2 ou 5 horas a 21ºC, aproximadamente. Devemos ir observando como evoluem durante o processo de fermentação, uma vez que este pode variar.
Tabuleiro perfurado De Buyer e pincel de pastelaria T&G
Preparamos a calda de açúcar.
- Adicionamos todos os ingredientes num tacho. Levamos a lume médio e deixamos que levante fervura. O açúcar deverá ter-se dissolvido por completo.
- Assim que começar a ferver, desligamos o lume e deixamos arrefecer completamente.
- Reservamos.
Cozemos no forno.
- Pré-aquecemos o forno a 175ºC com ventilação.
- Pincelamos de novo com ovo batido com leite, com muito cuidado; lembramos que só devemos pincelar a parte superior, não a parte laminada.
- Colocamos no forno e cozemos durante 16-17 minutos.
- Retiramos e deixamos arrefecer completamente sobre uma grelha.
- Caso queiramos pincelar com calda de açúcar, fá-lo-emos logo ao retirá-los do forno e ao colocá-los sobre uma grelha. A calda deve estar a 30ºC quando a aplicarmos sobre os croissants, caso o queiramos fazer.
Notas
- Para fazer croissants devemos usar uma farinha de força em torno de W=270-320.
- Nem todas as manteigas dão bons resultados quando fazemos croissants. Precisamos de uma manteiga seca com 84% de gordura. Caso não consigamos ter acesso a ela, devemos usar uma manteiga com um ponto de fusão mais alto do que as manteigas de muitos supermercados (isto deve-se à quantidade de água que contêm). Já experimentei a marca KerryGold e Pascual, dão bons resultados. Tenho a certeza de que haverá mais marcas que funcionem bem (de supermercado), mas devemos ter em conta que uma manteiga seca é a que nos garantirá bons resultados.
- Para ter sucesso com os vossos croissants, trabalhai sempre com os ingredientes frios e respeitai os tempos de repouso.
- A massa devemos manipulá-la sempre a frio e procurando não demorar muito durante os processos de estender.
- O ideal é utilizar um rolo metálico para estender a massa.
- Quando nos dispusermos a laminar, a manteiga deve estar fria, mas tem de ser maleável. Ou seja, poderemos dobrá-la sem que se parta. A sua temperatura deve rondar os 12º-16ºC. Se estiver muito fria, gretará dentro da massa e não obteremos bons resultados.
- A fricção da amassadeira faz subir a temperatura da massa. Se refrigerarmos a taça, isso ajudar-nos-á a manter uma temperatura mais adequada durante mais tempo.
- Não devemos pressionar ou manipular muito a massa depois de a termos laminado.
- Deixai espaço entre os croissants quando forem fermentar, estes crescem muito durante a levedação e após a cozedura.
- Pré-aquecer bem o forno para favorecer que a cozedura decorra corretamente.
- O tempo de cozedura pode variar de um forno para outro, é importante conhecê-lo bem e trabalhar em conformidade.
- Os croissants devem consumir-se de preferência no dia em que são cozidos. Podemos conservá-los num recipiente hermético ou saco tipo zip.
É verdade que o processo para fazer croissants em casa é algo trabalhoso, sobretudo pela laminação. Mas, claro, não é impossível fazê-lo se nos munirmos de paciência e um pouco de músculo nos braços (vai fazer falta!).
Mal posso esperar para ver os vossos!



Comentários
KATIA disse:
Hola, me puedes explicar porque y en qué consisten los cortes que mencionas en los lados?
Gracias!
NADINA disse:
Hola, queria saber cuando congelar la masa del croissant. Los queria dejar listos para retirar del congelador y hornear el dia que se consuman.
Un saludo,
Gracias
@rgentin@ disse:
En unos días te cuento… 😬
Alfonso disse:
Gracias por compartir los conocimientos.
La pregunta es como seria en el proceso de croassaint de colore o de sabores distitno . como se hace ese proceos
Camila disse:
Hola! Queria saber si podrian dejar una receta de croissants mixtos, con masa madre y levadura!
Eneritz disse:
Qué ricos!! Muchas gracias por la receta. pueden dejar los croissants ya formados en la nevera y hornear al día siguiente?
Eva disse:
Muchísimas gracias, me podrías decir en que momento debería congelarlos si no los quiero consumir todos de una vez? como conservarian mejor su textura, de nuevo muchas gracias por la receta, la probaré.
Eva {Bake-Street} disse:
¡Hola, Rosa María!
He intentado mostrar el proceso lo mejor posible en las imágenes, al igual que detallarlo en la receta. Puedes ver cómo hacer los cortes que detallo en el primer carrusel (segunda fotografía) y el pliegue sencillo en la tercera fotografía de ese mismo carrusel :)
Gracias a ti!
Eva {Bake-Street} disse:
¡Hola, Maite! La mantequilla seca es una variedad de mantequilla con un porcentaje de grasa superior, al 84% (contiene menos agua) y la hace perfecta para este tipo de masas laminadas porque tiene un punto de fusión más alto. Pero, con la Kerrygold o la Pascual (más fáciles de encontrar), se obtienen muy buenos resultados también :)
Rosa Maria disse:
Muchas gracias por la historia y por la receta, aunque seria interesante poder ver en video o foto le proceso del plegado y los cortes de los laterales que dices. Gracias
Maite disse:
Que és la mantequilla seca?
Claudia disse:
Buenísima la historia Gracias x compartir esta receta riquísima.
marta disse:
Muchísimas gracias, me habéis leído el pensamiento!!! Tenía ganas de tener una receta de croissant