Se isso de experimentar dietas, jejuns e fazer exercício te soa familiar… e mesmo assim não perder nem meio quilo —ou acordar no dia seguinte até com mais peso do que na noite anterior— fica.
A mim também me aconteceu. E preocupou-me bastante.
Tanto, que quando finalmente percebi o que me estava a acontecer e o que podia fazer para o alterar, senti necessidade de o partilhar.
Este post é precisamente isso: uma explicação honesta de porque é que aos 40 podemos engordar mesmo “fazendo tudo bem” e de o que me ajudou de verdade a desinflamar o corpo e a começar a perder peso.
Este post interessa-te se isto te soa familiar:
Chega uma altura —normalmente a partir dos 40— em que fazes tudo o que supostamente se deve fazer… e mesmo assim o corpo não responde.
Fazes exercício, mexes-te, experimentas dietas proteicas, reduces quantidades, começas o dia com água quente com limão, gengibre, até com um pouco de pimenta. Experimentas o jejum. Aguentas horas sem comer. E nada.
O peso não baixa. Às vezes até pesas mais depois de teres feito exercício e jejum.
E não, não é uma sensação isolada. É algo de que falo muitas vezes com amigas: é quase um clássico nesta idade.
Durante muito tempo pensei que a solução era apertar mais. Comer menos. Restringir mais. Ser mais rígida.
Até que percebi uma coisa essencial: eu não estava a engordar, estava inflamada.
Nestas circunstâncias, para que o teu corpo solte, é vital que lhe dês calma (que deixes de fazer jejuns e dietas extremas, porque senão manténs-no em alerta e ele retém tudo). Tens de conseguir que o corpo perceba que o estás a cuidar, que lhe dás o que precisa.
Por isso deves esquecer os jejuns e as restrições e passar a dar-lhe 3 ou 4 refeições por dia. O que deves fazer é que sejam refeições muito leves e reconfortantes. Em poucos dias notarás a mudança, que o corpo relaxa, deixa de estar em modo de alerta e que começas a perder líquidos, quilos e até dormes melhor porque baixas o nível de cortisol.
O que acontece e o que deves fazer para travar o aumento de peso
Acho importante dizê-lo claramente: as dietas extremas e os jejuns não funcionaram comigo. Nem o jejum intermitente prolongado, nem treinar em jejum de forma continuada, nem juntar dias de muita restrição.
Pelo contrário: mais do que uma vez, depois de um dia “perfeito”, ao subir para a balança no dia seguinte estava igual… ou até com mais peso!
Isso não é falta de força de vontade. É um corpo que, a partir de certa idade, responde ao stress retendo. É essencial perceber que sofres de uma inflamação no corpo. O corpo está em alerta constante e retém, em vez de libertar.
Quando mudei o foco e comecei uma dieta anti-inflamatória, o corpo respondeu depressa: !em cinco dias perdi três quilos! Não por passar fome. Não por fazer nada extremo. Simplesmente porque o corpo deixou de estar em modo de defesa.
Aqui entra em jogo algo de que se fala pouco quando se fala de peso: o cortisol.
O cortisol é a hormona do stress. E aos 40, entre trabalho, família, responsabilidades e autoexigência constante, costumamos tê-lo mais alto do que pensamos.
Quando o corpo vive em stress:
- Retém líquidos
- Inflama-se
- Dificulta a perda de peso
- Entra em “modo de defesa”
Por isso, dormir melhor, jantar bem e não viver permanentemente em restrição faz parte do processo de desinflamar, embora nem sempre esteja diretamente relacionado com o peso.
No meu caso, melhorar o descanso foi tão importante como mudar o que comia (e jantar leve e melhor tem-me ajudado a dormir melhor).
A mudança de foco: primeiro desinflamar, depois virá o resto.
A dieta anti-inflamatória que funciona
O ponto de viragem foi deixar de pensar em “dieta para emagrecer” e começar a pensar em como acalmar o corpo.
A ideia é muito simples, na verdade: comer mais alimentos fáceis de digerir, mais cozeduras suaves, evitar produtos crus e gordos e fazer mais pratos quentes.
Durante uma temporada volta ao básico:
- Legumes cozidos
- Alimentos cozidos ou ao vapor
- Pratos simples
- Comida quente
Nada sofisticado -simplesmente comida que o corpo consegue processar sem esforço.
Sim aos hidratos! (sim, à batata... cozida)
Sim, voltei a comer batata (e não, não me fez engordar). É vital que o faças, vais ver como lhe sabe bem ao corpo.
A batata costuma estar na lista negra de muitas dietas a partir dos 40.
E no entanto, a batata cozida é uma grande aliada para desinflamar.
O mesmo com a abóbora ou a cenoura. Hidratos sim, mas:
- Bem cozidos
- Em quantidades razoáveis
- Como parte de um prato equilibrado
Estes hidratos leves não só não me fizeram engordar, como ajudaram a:
- Acalmar a digestão
- Reduzir a inflamação
- Diminuir a vontade de doces
Se te encontras como eu me encontrava —já passaste os 40, fazes exercício, experimentaste cardio, jejuns e mesmo assim não resulta— animo-te mesmo a experimentar voltar à batata cozida e a uma dieta anti-inflamatória. Em três ou cinco dias nota-se a diferença. No meu caso, três quilos a menos, simplesmente por libertar inflamação.
Depois chegará o momento de uma alimentação de manutenção, adaptada a esta idade. Mas primeiro, calma.

Como como agora: um exemplo real de um dia
Sem regras rígidas. Sem pesar alimentos. Sem obsessão.
Pequeno-almoço
- Omelete de 2 ou 3 ovos com legumes salteados (curgete, espinafres, beringela…)
- Um café ou uma infusão.
É um pequeno-almoço saciante, permite-me aguentar sem fome até ao meio-dia e não incha.
Almoço
Os pratos ao almoço prepara-os com 3 elementos-chave:
- Uma proteína simples: frango ou peixe branco, sempre cozinhado de forma suave (na frigideira ou ao vapor).
- Acompanhamento de batata cozida ou arroz branco
- E algum legume bem cozinhado: abóbora, cenoura, curgete.
Pratos simples, do dia a dia.
Lanche (se for preciso)
- Um iogurte natural,
- Ou uma peça de fruta bem tolerada
Se tenho bastante fome, junto compota de maçã ou fruta ao iogurte.
Jantar
O jantar, nesta fase, para mim é essencial que seja calmante e fácil de digerir. Assim, o jantar ideal é composto por duas partes:
- Um creme suave
- Peixe (pescada, tamboril, bacalhau fresco, linguado…, leve e digestivo) ou omelete simples.
Aqui, as sopas-creme de legumes têm um papel fundamental.
Algumas que resultam especialmente bem à noite:
- Creme de abóbora
- Creme de curgete
- Creme de cenoura
- Creme de alho-francês
Importante: quando cozinhares as sopas-creme de legumes, acrescenta sempre um pouco de batata. Reconforta e sacia, e dá muita calma à noite. Vais ver que te ajuda a relaxar o corpo de forma que, após o descanso, te levantas mais leve.

Coze bem os cremes e desfruta assim de legumes bem cozinhados, triturados e servidos quentes. São pratos que não inflamam, reconfortam e ajudam o corpo a abrandar ao fim do dia.
Um ou dois dias por semana também incluo peixe gordo, como o salmão, em doses moderadas, sempre acompanhado de legumes cozidos ou de um creme suave.
À noite evito:
- Saladas e alimentos crus
- Misturar demasiados alimentos
- Jantares abundantes
A ideia não é jantar pouco, mas sim jantar de forma que o corpo possa descansar.
Jantar muito cedo: continuo a fazê-lo, mas com uma nuance importante: eu janto muito cedo, por volta das 18h ou 18h30, e resulta-me bem. No meu caso, o jantar faz de lanche-jantar. Isso sim, ao jantar tão cedo aprendi uma coisa importante: antes de ir dormir convém tomar algo pequeno, como um iogurte natural. Não para me encher, mas para que o corpo não entre em modo de alerta durante a noite.
Dormir com o estômago completamente vazio pode elevar o cortisol e piorar o descanso.
Dormir bem também faz parte de desinflamar.
Perguntas que me fazia (caso te sejam úteis)
Tenho mesmo de acrescentar hidratos?
Sim, sem dúvida. Sempre cozidos, e se deixares a batata repousar 24 horas no frigorífico a sua composição muda e ainda te sabe melhor.
Além disso, já tentaste evitá-los e não te resulta, não é? Voltar a comer batata e batata-doce foi das coisas que mais me custou, depois de ler sobre tantas outras receitas para a idade dos 40 e pensar que me faria engordar, e salvou-me a vida (sacia-me e assenta super bem na barriga). Experimenta, faz-me caso, e vais ver.
Tenho de deixar de fazer exercício?
Não. Mas sim mudar o foco.
Quantos dias de força por semana?
O ideal: 2 ou 3 dias. O exercício de força ajuda a regular hormonas, protege o músculo e melhora o metabolismo.
Cardio todos os dias?
Não é necessário. Demasiado cardio pode aumentar o stress se o corpo já estiver saturado.
Exercício de manhã: é preciso comer antes?
Depende.
- Exercício leve: pode fazer-se sem comer
- Força ou intensidade: melhor comer algo pequeno antes ou logo a seguir
E se treinar à tarde?
Comer algo leve antes, se tiverem passado muitas horas, e depois um jantar simples.
O jejum funciona aos 40?
Em algumas pessoas sim.
Noutras, aumenta o stress e piora a inflamação. É preciso ouvir o corpo.
Isto é complicado de seguir no dia a dia?
Não. Aliás, uma das coisas que mais me ajudou foi organizar-me um pouco ao fim de semana.
Ao domingo costumo:
- Preparar um ou dois cremes de legumes (abóbora, curgete, alho-francês, cenoura…)
- Guardá-los no frigorífico para os ter prontos para os jantares durante a semana
Chegar a casa cansada e saber que tenho um creme feito evita-me improvisar mal e facilita muito manter a calma à noite.
De dois em dois dias cozo batata e guardo-a no frigorífico, assim tenho sempre um acompanhamento pronto e a batata repousada digere-se melhor (é mais anti-inflamatória).
Isto é para sempre?
Não. É uma fase anti-inflamatória.
A ideia é:
- Acalmar o corpo
- Reduzir a inflamação e a retenção
- Voltar a sentir-te leve
Depois vem uma alimentação de manutenção, equilibrada e adaptada a esta fase.
Quanto tempo é preciso fazer isto?
No meu caso, as mudanças notaram-se em poucos dias.
Em três ou cinco dias o corpo já começou a libertar líquido. Mantém isto durante umas 3 semanas para consolidar esta desinflamação e os hábitos.
Depois pode-se ir alargando os alimentos aos poucos.
Que pequenos hábitos me ajudaram a desinflamar?
Há detalhes que parecem menores, mas somam imenso no dia a dia:
Escolher bem a fruta
Nem toda a fruta assenta da mesma forma. Nesta fase, correram-me melhor:
- Maçã
- Pera
- Banana madura
- Mirtilos
- Fruta cozida ou em compota
A fruta cozida digere-se melhor e evita fermentações.
Compota com iogurte
Um iogurte natural com um pouco de compota de maçã ou pera é um recurso muito útil:
- Para o lanche
- Antes de dormir, se surgir fome
- Para acalmar o sistema digestivo
Reduzir o café
Não deixei o café, mas reduzi-o:
- Menos cafés por dia
- Evitar ao final do dia
- Dar prioridade a tomar depois de comer
Demasiado café pode aumentar o cortisol e a inflamação.
Alimentos clássicos que agora NÃO entram
Apesar da recomendação de comer lentilhas e grão-de-bico cozidos, deves afastá-los por agora porque são muito saudáveis, sim, mas também fermentáveis e, numa fase de inflamação, podem não assentar bem. Afasta-os enquanto o corpo "acalma".
Também não abacate! Por agora, evita alimentos muito gordos.
Evita também queijos e enchidos, e legumes crus (nada de alface, tomates... e outros alimentos crus que custam mais a digerir).
Evito a couve-flor e o brócolo porque, pessoalmente, me inflamam. Tal como os espargos. Avalia se também os deves evitar.
E claro, nada de mexer no pão e produtos feitos com farinhas refinadas.
Se houver fome ou ansiedade, infusão.
Muitas vezes não é fome real, mas sim necessidade de calma.
Uma infusão quente (camomila, funcho, gengibre suave…) ajuda a:
- Relaxar o corpo
- Melhorar a digestão
- Evitar petiscar sem necessidade
Estes pequenos gestos, mantidos no tempo, ajudam tanto como as grandes mudanças.
Para terminar
Se estás nos quarenta e te acontece tentares tudo para perder peso mas não conseguires, pode ser que simplesmente estejas a pedir demasiado ao teu corpo quando o que ele precisa é de cuidados.
Às vezes avançar não é fazer mais, mas fazê-lo de forma mais suave. Isto é o que percebi depois de mil tentativas, e agora sinto-me super bem.
Se já experimentaste tudo, animo-te a experimentar o que te contei... No fim de contas, o que tens a perder? A mim funcionou.
E não, não estás sozinha. Somos muitas 🤍

Comentários
Mónica disse:
Muchas gracias.
He llegado a este post buscando una solución a la inflamación. He puetso en práctica la dieta y me ha funcionado muy bien.
Os quedo muy agradecida.
Claudia&Julia disse:
Hola Teresa, Además de la tortilla, puedes optar por yogur griego o kéfir con fruta y frutos secos, un bol de avena con canela y mantequilla de almendra, o una tostada con aguacate y pescado azul. La idea es que el desayuno tenga proteína, grasas buenas y sea suave para el sistema digestivo.
Espero que te resulte de ayuda!! Un saludo!
Teresa Serra disse:
Buenos días ,
Me parece una dieta muy lógica y fácil de practicar.
Podrías recomendarme algunas opciones más para el desayuno aparte de los huevos?
Muy agradecida. Un saludo